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sábado, 12 de maio de 2012

E o cinema...

Segundo Eric Vertzbed, psicanalista francês autor do livro "Como Woody Allen pode mudar sua vida" (ainda não li o livro):

"Um filme não só reflete mas também produz inconsciente coletivo".

Os comentários do "Cinema e Letras: Impressões" sobre cinema partem dessa premissa...

domingo, 15 de abril de 2012

Em maio

Em maio, o "Cinema e Letras: Impressões" completa mais um ano.

Muito obrigada por seu interesse!

sexta-feira, 9 de março de 2012

SAÚDE?

Dia desses, passando diante da televisão, tive minha atenção puxada para um programa matinal sobre saúde que minha mãe assistia.

Pois não é que um médico ali afirmava categoricamente que a menopausa não interferia diretamente na libido das mulheres?

Segundo ele, inclusive, poderia acontecer de, nessa fase, a vida sexual melhorar bastante etc, etc etc.

E eu que já observei, pensei, pesquisei e escrevi bastante sobre o assunto, fiquei pasma diante daquele absurdo... Como um médico, valendo-se da autoridade a ele conferida pela roupa branca oficialmente usada, tinha coragem de afirmar aquilo, sem qualquer ressalva a respeito de que a sexualidade sofria mudanças, sim, com a gradativa diminuição dos hormônios, já que ninguém envelhece de repente aos 90 anos; e que qualquer melhoria na vida sexual de uma mulher na maturidade estaria associada a suas possíveis dificuldades anteriores, como inibição, recalques, medo de engravidar etc.

Ou seja: se a satisfação com sua vida sexual era zero e passara a ser 2 após a maturidade, haveria ali uma melhora, obviamente... Mas ele não poderia se esquecer de frisar que, para toda mulher que tenha tido uma sexualidade forte, saudável e bem vivida durante todo seu período fértil, o natural era que houvesse, sim, com o transcorrer do tempo, um paulatino decréscimo em seus impulsos sexuais e na intensidade de seu prazer.

Ao omitir tais informações, o doutor correu o risco de parecer desejar incutir nas espectadoras o sentimento de que algo errado ocorria apenas com as que estavam conscientes de já não serem as mesmas da juventude... (Obrigando-as a investirem em cuidados e tratamentos mil, ou apenas levando-as a respeitarem/invejarem as que possam fazê-lo, grupo ao qual pertencem justamente aquelas que anunciam produtos populares que podem passar a ser - por tabela - desejados?)

Ora, como conceber que a diminuição dos hormônios femininos nada tenha a ver com sexualidade e orgasmos femininos, ainda que outros quaisquer hormônios aumentem sua produção após a menopausa? (A diminuição desses hormônios acaba por afetar todo o organismo, e não há reposição - se essa fosse mesmo uma boa opção - que faça o corpo recuperar seu viço, ou cessar o processo deflagrado para a decrepitude.) A libido não acaba, é certo, mas sua canalização para a vida sexual muda, sim. E qualquer mulher conhecedora de si mesma e que se recuse ao autoengano sabe muito bem dessa verdade.

O que, no entanto, não significa qualquer perda de gosto pela vida, pelo amor(valorizando-se o relacionamento maduro), pelos cuidados normais com o corpo e a aparência... Ao contrário, quanto menos da fêmea vai restando, se a mulher não passa a viver obcecada por livrar-se de cada ruga ou por fingir ser muito mais sexualizada do que é, mais espaço dentro dela vai surgindo para a pessoa, para o ser humano menos competitivo e menos preocupado com a satisfação de seus próprios instintos, de seus desejos imediatos. Mais espaço vai surgindo para o ser humano interessado no outro, no mundo, no bem estar geral, além de no da própria prole. (Quanto a maridos que desprezam esposas que assumem ter a idade que têm, façam-me o favor: se não puderem ajudá-los a se libertarem de seus próprios autoenganos, indaguem-se por que vo-cês continuam a querer essas marionetes!...)

Enfim, perguntemos: a quem pode interessar manter esse mito de que seja possível e obrigatório que as mulheres se mantenham sensuais e belas para sempre?

E arrisquemos: à sociedade capitalista, à indústria médica, coméstica, de moda, que não se envergonham de vender pura ilusão a um bando de mulheres despreparadas para a vida, para o envelhecimento e para a morte? ...Aos anunciantes das empresas de comunicação?

Em "O homem que sabe", Viviane Mosé, discorrendo sobre o surgimento da tragédia grega, vai ao ponto:

"O maior perigo humano, nos ensina a tragédia, é perder a noção do limite, já que a vontade individual, ao querer negar os deuses, sempre perde, os homens são mortais, finitos. A mortalidade é o que diferencia os homens dos deuses; perder a noção deste limite é o erro trágico que leva não à morte, mas ao sofrimento extremo. Por isso os gregos criaram a tragédia, como um modo de educação, de formação humana, que tinha como função mostrar ao homem que ele é sempre frágil, mortal, passível de sofrimento, e também que ele possui vontade, uma força própria, singular de existir, e que pode tentar se impor no mundo, mas esta força não pode acreditar ser superior à vida [que inclui o envelhecimento e a morte], nem querer negá-la.
A função da tragédia é, enfim, por meio da ficção, confrontar o homem com o sofrimento, para que possa viver e se fortalecer com a dor inevitável, própria de tudo o que vive."

Aceitação de nossos limites e das contradições da vida, eis o segredo da fórmula da verdadeira alegria, que pode se tornar recorrente naqueles que realmente se entregam à busca por seu melhor possível... como mero ser humano.

Ah, as redentoras tragédias gregas! Pena que a influência de nosso teatro sobre os espectadores pareça cada vez menor... Tornamo-nos insensíveis? Ou o que ocorre é que a grande maioria de nossos atores, ainda quando escolham representar peças de valioso conteúdo, acabam por não poderem ser engajados (ou neutros mesmo) veículos de lições muito profundas, uma vez que seus testemunhos de vida - propalados pelos meios de comunicação - revelam o quanto priorizam a aparência padronizada e a ostentação, muitas vezes tornando-se patéticas figuras em sua incansável luta contra o tempo, ao mesmo tempo em que se (em)prestam à propaganda de futilidades...?

Mas vocês, amigas leitoras, ainda podem se libertar, caso se disponham a ouvir:

Se não morrerem cedo, vão ficar velhas, sim!

Sua sexualidade vai, sim, ser afetada pela idade! Pau-la-ti-na-men-te!

Vocês não vão se manter dentro dos padrões de beleza da juventude para sempre, ainda que façam mil plásticas e mantenham a silhueta com muita dieta balanceada e exercícios. Pelo menos, não quando tocadas ou vistas de perto.

No entanto, consolem-se: depois de acordarem da submissão ao consumo em prol da estética fútil, depois de desistirem da batalha sempre perdida contra o tempo, descobrirão nova alegria de viver, de servir, de criar, de amar e de ser amada. Sem falar que só bem acordadas é que poderão evitar o pesadelo que deve ser, de repente, lá no final mesmo, perceber que se perdeu toda uma fase (e a mais longa de todas) da vida lutando para voltar à fase anterior.

Era muito bom ser jovem, claro! Mas, creiam, pode ser muto bom também depois, ainda que de forma diferente... E pode ser tão bom se libertar da ditadura dos hormônios e da necessidade de se manter jovem a todo custo quanto de qualquer outro tipo de escravidão.

Queridas, vamos deixar para brincar de faz-de-conta com nossos netos!?


Obs. É provável que um tanto dessa tendência das mulheres de nosso tempo para acreditarem que possam ser eternamente símbolos sexuais talvez seja impulsionada pelo simples fato de alguns recursos hoje permitirem que aquelas que lhes tenham acesso – e tempo e paciência para buscá-los - possam viver mais e melhor mesmo depois de “dobrado o cabo da boa esperança”...

A grande questão, porém, consiste na confusão que os interesses da sociedade mercantilista promove – inclusive nas mais estudadas representantes de nossa espécie (ah, o autoengano!) -, ao misturarem, através de propagandas diretas e indiretas (como inocentes programas sobre saúde, ou simpáticos depoimentos de admiradas atrizes que há muito trabalham para o capital, por exemplo), conceitos como disposição física, saúde e boa aparência com a manutenção do status de fêmea capaz de despertar desejos incontroláveis em machos de todas as idades, dependendo apenas de se "cuidarem”, vestirem e fazerem algumas plásticas, seguindo as “melhores” indicações do momento...

Enfim, bom mesmo é ser um(a) velho(a) saudável, aproveitando apenas as orientações que nos mantenham assim por mais tempo (até uma ou outra plástica reparadora pode ser pensada, claro), sem os exageros que surgem com o em nós artificialmente insuflado desejo de corrermos atrás do impossível.

Bom mesmo é vivermos a verdade de cada fase, aproveitando a maturidade para olharmos em volta e nos perguntarmos se não estaria na hora, por exemplo, de dividirmos o tempo que passamos na academia, no cabeleireiro ou procurando a bolsa maravilhosa com a seguinte reflexão: como posso utilizar parte dos anos extras que ganhei na construção de um mundo melhor?

quinta-feira, 8 de março de 2012

"Respeitabilidade e Autoengano"

Queridos leitores, não deixem de ler nesse blog os textos "Respeitabilidade e Autoengano" e "Grandes Esperanças".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Ricos e ricos"

Em uma das últimas revistas “Veja” que folheei no consultório de meu dentista, li, do jornalista J. R. Guzzo, o artigo de última página intitulado “Ricos e ricos”.

Fiquei sabendo que, segundo o escritor Scott Fitzgerald – com quem o articulista parece concordar, os ricos seriam seres humanos diferentes de “você e, provavelmente, de todas as pessoas que você conhece mais de perto”...

Ao longo do texto, Guzzo nos lembra de que o verdadeiro rico não se reconhece apenas medindo-se seu patrimônio. Ou seja, estamos cercados de “ricos-pobres”... Mas, se ficamos com a esperança de estar ele ali valorizando a riqueza interior e os bons e universais valores humanos, logo nos decepcionamos: não há sinal, em todo o artigo, do reconhecimento da possibilidade de existência dos ditos – e em nossa sociedade pouco reverenciados – “pobres-ricos”.

J. R. Guzzo também nos premia com pérolas anacrônicas de incentivo ao acúmulo de capital, ao afirmar que “as sociedades não ficam mais ricas sem que aumente o número de ricos”, ou que “sequer um único pobre deixaria de ser pobre, caso todos os ricos, por uma portaria do Ministério da Fazenda, deixassem de ser ricos”...

Segundo o texto ainda, os ricos seriam espécie de seres “superiores”, proprietários mesmo de uma outra dimensão:
“É possível, sim, conviver com gente rica, falar de assuntos comuns, frequentar lugares parecidos. Dá para torcer pelo mesmo time de futebol, ter gostos semelhantes ou partilhar desta ou daquela ideia. Mas inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, vai ficar claro que a aproximação chega só até um certo ponto; a partir daí entra em ação um freio automático e os ricos deslizam de volta para o seu mundo psicológico particular.”

Ora, num momento em que todo aquele que seja capaz de pensar um pouco mais profundamente chega à conclusão de que a única opção da humanidade é rever seu deslumbramento com excessos em conforto e bens dispensáveis, passando-se inclusive a medir o próprio desenvolvimento de um povo pelo seu nível de bem estar social, Guzzo parece caminhar em sentido contrário, ao acenar para a suposta existência de um aura mágica a pairar sobre as vidas dos “realmente” ricos... Incentivando a manutenção do sentimento de inferioridade dos menos privilegiados, e o de superioridade de nossas elites mais inconscientes (justamente aquelas cuja infelicidade é flagrada na disputa que nunca acaba, em sua eterna corrida atrás do próximo milhão), ao mesmo tempo em que, de certa forma, aplaude a infeliz “corrida do ouro” que, diga-se de passagem, acaba de jogar o mundo numa crise sem precedentes.

No entanto, a verdade, sinto-me na obrigação de arriscar, talvez seja que é muito simples e nada misteriosa, apesar de realmente imensa, a diferença entre os ricos que sempre foram ricos, que sempre viveram entre ricos e que conhecem todo tipo de benefício que dinheiro e poder podem proporcionar, e o “resto” da população, incluindo-se aí os que fazem de tudo, o tempo todo, para serem incluídos na lista de seus convidados...

Acontece que, consciente ou inconscientemente, os genuinamente ricos "sabem" que, a partir de um nível moderado de satisfação a suas necessidades, nada daquilo que possuem ou usufruem é responsável por qualquer de seus momentos de verdadeira alegria e paz de espírito.

A diferença é que eles sabem que o bando de puxa-sacos que os cercam e invejam, desejando ardentemente estar em seu lugar; perdoando-lhes qualquer deslize porque sequiosos por aproveitarem as suas sobras, estão idiotamente iludidos ao imaginarem que a riqueza é o platô definitivo da felicidade.

Eles sabem, pois viram com seus próprios olhos, dentro de suas próprias casas, a Condição Humana se impor à sua vida “mansa” e à de parentes ou amigos... É a doença que, mesmo curada aos sopapos dos vastos recursos aos quais têm acesso, deixa-os desgastados e desconfiados de que não são como o carro que podem trocar a toda hora... É o envelhecimento que acaba por esgarçar o rosto mesmo daquela que mais tenha investido na luta contra o tempo, deixando-a humilhada e obrigada a ver no espelho, todas as manhãs, a luta inglória que tanto a distraiu do que de fato importava... É a gradativa perda de disposição para usufruir da própria riqueza... É o suicídio súbito, ou paulatino - através de algum tipo de vício, cometido por tantos de seus pares... Sem falar nos incontidos reflexos em suas vidas da injustiça social ou das agressões ao meio ambiente...

E, creiam, os mais lúcidos dentre os ricos – vide Bill Gates – não querem para seus filhos qualquer tipo de autoengano sustentado pelo dinheiro...

A Condição Humana... As dores. As perdas. O envelhecimento. A morte. Estes são “bens” universais. E os mais ricos dentre os homens não só se diferenciam das demais criaturas por saberem disso, mas por - indo além - transcenderem a própria fragilidade, ao invés de anestesiarem sua consciência... Deixando-se tomar pela plena certeza de serem essencialmente iguais a cada outro ser humano... Desistindo da inútil tentativa de fuga individual e egoísta, e passando a se dedicar à universalização dos demais bens.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não desistam, por favor!

Enquanto não publico novos textos, que tal lerem os mais antigos?

São tantos...

Sem falar que a maioria é sem dúvida atemporal...

Abraço e até breve!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

AMIGOS LEITORES

Àqueles que sentem falta dos meus textos, peço que aguardem um pouco mais.

Não tem sido por falta de vontade que tenho escrito menos frequentemente: ser avó em tempo integral não me tem deixado tempo para mais nada.

De qualquer forma, não tenho do que reclamar: estou certa de aprender mais, de crescer mais, como avó do que no desempenho de qualquer outra atividade.

Por ora, deixo-lhes aqui um grande abraço e votos de um Natal realmente voltado para as coisas do espírito, do crescimento interior... Única maneira de podermos pensar na possibilidade de um Ano Novo melhor para todos.